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Os irmãos Karamázov
Sobre o autor
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OS IRMÃOS KARAMÁZOV

Romance em quatro partes com epílogo

fiódor mikháilovitch dostoiévski nasceu em 1821, em Mos­cou, no hospital onde seu pai trabalhava como médico. A mãe morreu de tuberculose em 1837 e ele foi para São Petersburgo, então capital do Império Russo, seguir os estudos na Academia Militar de Engenharia. O pai morreu em 1839, depois de uma fase de depressão e alcoolismo. Dostoiévski se formou em 1843, obtendo a patente de subtenente. Deu os primeiros passos na literatura com duas peças teatrais que ficaram inacabadas, e traduzindo o romance Eugénie Grandet (1844), de Honoré de Balzac. Publicou seu primeiro romance, Gente pobre, em 1846, depois de desistir da carreira militar. Seguiram­-se o romance O duplo (1846) e as novelas A senhoria (1847) e Noites brancas (1848), além do romance inacabado Niétotchka Niezvánovna. Nessa época, o escritor integrava o Círculo de Petrachévski, grupo de leitura clandestino liderado por um adepto do socialista utópico francês Charles Fourier. Em 1849, vários membros do círculo foram presos e condenados à morte, entre eles Dostoiévski. No último instante a pena foi comutada para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria e cinco de serviço militar como soldado raso. No exílio, o escritor conheceu sua primeira esposa, Maria Dmítrievna Issáieva, e nessa mesma época sofreu as primeiras crises de epilepsia. Em 1859, voltou para São Petersburgo e, com Mikhail, seu irmão mais velho, fundou a revista Vrémia (Tempo), na qual publicou seu romance Humilhados e ofendidos (1861). Em 1862, na revista Mundo Russo, publicou Memórias da casa dos mortos, lembranças ficcionalizadas do período na Sibéria. Entre 1862 e 1863, viajou por algumas cidades da Europa Ocidental e perdeu muito dinheiro no jogo. Em 1864, morreram sua esposa e seu irmão Mikhail. Além da viúva, Mikhail deixou quatro filhos e uma enorme dívida. Coube a Dostoiévski sustentar a todos, situação que o endividou cada vez mais. Nesse mesmo ano lançou Memórias do subsolo e, em 1866, Crime e castigo. Seu romance seguinte, O jogador, foi escrito às pressas para saldar dívidas. A fim de entregá­-lo no prazo exigido pelo editor, Dostoiévski contratou a estenógrafa Anna Grigórievna Snítkina, à época com 24 anos e com quem se casou em 1867. Os dois foram morar em Dresden e então em Genebra, onde sua primeira filha nasceu e, pouco depois, morreu. Voltou a Dresden, onde nasceu o segundo filho, que morreu aos três anos. Em 1868, Dostoiévski publicou O idiota e, em 1872, Os demônios, romance que polemiza diretamente com alguns setores do movimento revolucionário. Em 1873 e 1874, escreveu Diário de um escritor, uma série de artigos e contos publicados de modo seriado num periódico. Em 1875, saiu o romance O adolescente. Por fim, Os irmãos Karamázov veio a lume em 1881, ano em que o escritor morreu de enfisema pulmonar, em São Petersburgo. Sua adesão à Igreja ortodoxa, que vinha de muitos anos, o levara, àquela altura da vida, a manter estreitas relações com expoentes do clero ortodoxo, bem como com autoridades do governo e com a família do tsar. Dostoiévski foi sepultado no mosteiro de Alexandre Niévski, em São Petersburgo, e seu enterro, como era praxe entre escritores russos, foi acompanhado por uma multidão.

cecília rosas é tradutora, professora e pesquisadora, com doutorado em letras pelo Programa de Literatura e Cultura Russa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da usp. Foi professora no setor de russo do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e traduziu autores como Púchkin, Tchékhov, Marina Tsvetáieva e Boris Pasternak. Entre suas traduções estão A guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras, 2016, finalista do prêmio apca na categoria tradução); Viagem sentimental, de Viktor Chklóvski (Editora 34, 2018); Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha, de Liudmila Petruchévskaia (Companhia das Letras, 2018, menção honrosa no prêmio Boris Schnaiderman da Abralic) e, como integrante do Coletivo Sycorax, Calibã e a bruxa e Reencantando o mundo, ambos de Silvia Federici (Elefante, 2017; 2022). Atualmente pesquisa a obra tradutória de Tatiana Belinky.

lucas simone é formado em história pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da usp (2011), com doutorado em letras pelo Programa de Literatura e Cultura Russa da fflch­-usp (2019). Entre suas traduções do russo, estão A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes, de Fiódor Dostoiévski (Editora 34, 2012), O artista da pá, de Varlam Chalámov (Editora 34, 2016), O fim do homem soviético, de Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras, 2016), e O ano nu, de Boris Pilniák (Editora 34, 2017), além de Rádio Noite, de Yuri Andrukhóvytch (Zain, 2024), traduzido do ucraniano.

joseph frank foi um crítico literário norte­-americano, recebeu o título de ph.D. pela Universidade de Chicago com uma dissertação sobre o niilismo russo em Memórias do subsolo, de Dostoiévski. Entre 1976 e 2002, publicou em cinco volumes o mais importante estudo biográfico acerca do autor russo, Dostoiévski: Um escritor em seu tempo. Lecionou nas universidades de Minnesota e Rutgers antes de ingressar como professor titular de literatura comparada em Princeton, onde permaneceu de 1966 a 1985. Encerrou sua vida acadêmica na Universidade Stanford, ministrando aulas de teoria literária e estudos eslavos. Morreu em 2013, aos 94 anos, em Palo Alto, Califórnia.

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